No Batuque, os Orixás não são divindades independentes, mas energias intermediárias da força suprema de Olodumare — cada uma ligada a um domínio da natureza e da experiência humana, e cultuada através de cantos, ritmos de tambor e oferendas específicas (Corrêa, 1992).
Bará
Guardião das encruzilhadas e dos caminhos, é saudado antes de qualquer outro Orixá em praticamente toda cerimônia, por abrir ou fechar a comunicação entre o Aiyê e o Orun. É também mensageiro entre os próprios Orixás.
Ogum
Senhor do ferro e das ferramentas, associado ao trabalho, à guerra e à abertura de caminhos através da força e da determinação. Suas qualidades se desdobram em diferentes facetas guerreiras dentro da hierarquia do Batuque.
Xangô
Orixá da justiça, do trovão e da autoridade, ligado à pedra do raio (o edún-ara) e ao exercício reto do poder. Figura central em diversas casas do Batuque gaúcho, inclusive na nomenclatura de terreiros históricos.
Iemanjá
Rainha das águas salgadas, mãe geradora associada à fertilidade, à abundância e ao acolhimento. Recebe oferendas junto ao mar e é cultuada com especial devoção em diversas regiões litorâneas do Rio Grande do Sul.
Cada Orixá pode se manifestar em diferentes “qualidades” — facetas ou caminhos específicos dentro do mesmo domínio, que determinam detalhes de culto, cores, ritmos e obrigações. Identificar a qualidade correta de um Orixá é parte essencial do trabalho sacerdotal na feitura e na condução litúrgica de um filho de santo (Custódio).