Nações do Batuque

A genealogia do Batuque gaúcho é o documento comprobatório de sua autenticidade. O protagonismo das mulheres na chefia dos terreiros é atestado por cruzamentos demográficos contundentes: das linhagens principais rastreadas no estado, a imensa maioria possui matriarcas como precursoras fundantes (Carazza-Kessler).

As Árvores

Árvore de Cabinda (Pai Waldemar de Xangô)

O alicerce da Nação Cabinda, assentado para o orixá Xangô Kamuká Barualofina, matriz sacerdotal que blindou e expandiu os dogmas severos da nação.

Árvore Ijexá (Pai Paulino de Oxalá)

Tendo suas obrigações assentadas por Margarida e Inácia (ex-escravizadas de Ilesa, Nigéria), Pai Paulino de Oxalá Efan é o patriarca de uma das árvores mais populosas, garantindo a preservação da fluidez ritualística iorubá.

Árvore Jeje (Príncipe Custódio de Xapanã)

Coroado para Xapanã Sapatá Erupê, Pai Custódio Joaquim de Almeida (1901) consolidou o respeito ao orixá da terra e da cura, impondo a alta complexidade litúrgica dos ritos fúnebres.

Árvore Oyó/Nagô (Princesa Emília de Oyá)

Mãe Emília Fontes de Araújo (Oyá Ladjá) é a raiz de uma linhagem que manteve intacta a velocidade e a voracidade dos ritos das forças de fogo e trovão.

A Nação Jeje: matriz Fon e soberania da terra

Distinta das nações de matriz Iorubá (Oyó e Ijexá) e Banto (Cabinda), a Nação Jeje no Batuque preserva o hibridismo da teologia Ewe-Fon (Daomé). O Jeje impõe sua própria visão de mundo ao panteão, destacando-se pelo culto severo aos deuses da terra, transformação e ancestralidade primária, com soberania absoluta de Xapanã (Sakpatá), o rei da terra e da cura. A liturgia Jeje é marcada pelo toque sincopado (métrica quebrada do tambor), passos arrastados e sinuosos na dança, preservação do vocabulário Mahi/Fon, ocupações (transes) de peso ancestral denso e uma extrema frieza e austeridade em seus rituais internos.

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