Em um cenário onde as tradições de matriz africana são frequentemente amalgamadas, este projeto existe para estabelecer a demarcação dogmática, litúrgica e histórica do Batuque do Rio Grande do Sul — com precisão, não com sincretismo genérico.
O objetivo é único: tornar-se a referência de pesquisa sobre a história e os fundamentos do Batuque gaúcho, para sacerdotes, filhos de santo, neófitos e simpatizantes. Todo conteúdo aqui publicado busca apoio em fontes documentadas e citadas — nunca em afirmações soltas.
Por ora, quem organiza este projeto permanece anônimo. O que está em primeiro plano é a informação, não a autoria.
O Batuque não é uma ramificação do Candomblé e não se funde aos princípios da Umbanda ou da Quimbanda. É um sistema teológico ortodoxo e autônomo (Corrêa, 1992).
Ocupação, não incorporação.
A principal fronteira teológica que isola o Batuque das demais religiões afro-brasileiras está na compreensão exata da manifestação divina. No Batuque, o Orixá não “incorpora” — a incorporação pressupõe a chegada de um espírito externo que toma a matéria temporariamente. No Batuque, a divindade habita o adepto: o corpo do iniciado é o altar vivo e ininterrupto do Orixá (Custódio). Manifestada através do toque do tambor e do canto, a Ocupação ocorre de forma súbita, instantânea e arrebatadora, assumindo o controle motor e energético do corpo de forma absoluta.
O tabu da consciência.
É terminantemente proibido que o adepto saiba ou tenha consciência de que foi ocupado por seu Orixá. É a ferramenta litúrgica mais severa contra o ego e a vaidade sacerdotal, impedindo que o humano se confunda com o divino.
A base teológica do Batuque é estritamente monoteísta. Olodumare é a energia suprema e inalcançável. O universo se divide simbolicamente em Orun (mundo espiritual) e Aiyê (mundo físico). Os Orixás não são deuses independentes, mas energias intermediárias delegadas da criação: os Irunmoles (forças puras da natureza) e os Eboras (Irunmoles que assumiram existências terrenas civilizatórias) (Custódio).